Na ida ao trabalho não estava me sentindo bem durante a viagem. Passei por cada caminho imaginando o quanto este dia seria determinante em minha vida, de certa forma ele foi, sem dúvidas. Ao chegar no trabalho a primeira coisa que fui foi ligar para uma amiga minha, para saber se ela estava precisando de emprego, porém não achei em casa. Deixei recado com a mãe dela de que seria um "anuncio" de emprego, o meu emprego, e pedi que assim que pudesse ela me ligasse. Até ai nada estava sentindo, mas nunca diga nunca. Comecei meu pequeno dia de trabalho arrumando minhas coisas e limpando o chão, de repente, completamente do nada, comecei a me sentir muito mal, muito mesmo. Simplesmente derrotada, sufocada, infeliz e inquieta. Comecei a sentir falta de ar, respirava fundo e o ar não vinha e a unica idéia que me veio a mente foi falar com o médico da frente ao meu consultório, Dr. Rogério, psicólogo. Ele logo notou que eu não estava bem e ai desabei no choro. Ele me deu um copo de água e pediu que eu tivesse calma e que iria conversar comigo. Falei tudo a ele, disse o que estava sentindo e o porque achava que estava assim. Ele me disse que era uma coisa normal eu me sentir daquela forma desde que estava sobre uma enorme pressão psicológica e física. Disse-me também que provavelmente o que eu estava sentindo era sindrome do Pânico. E eu já sabia, sabia desde o ínicio, pois já tive um quadro bem parecido com este. O doutor me explicou que o melhor a fazer seria ir até um médico clinico geral ou psiquiátrico. Me acalmei e fui até minha sala. Ao chegar lá tudo veio de novo. Encontrei com ela me fuzilando, como se eu fosse uma má menina e tivesse andando descabela e pelada pelo corredor porque não queria tomar banho. Me senti péssima e voltei a chorar. Ela me olhou com cara de dúvida, era aparente que ela não sabia o que fazer, que ela não tinha idéia do que estava acontecendo. Me sentei e só soluçava, dizia que queria ir embora e que não queria sentir aquilo que estava sentindo. O sofrimento começou a me dominar. Ela me trouxe uma água com açúcar na esperança de que eu me acalmasse, mas foi ai que comecei a entrar em pânico e chorar mais ainda. Pedi a ela que avisasse ao Dr. Carlos, meu chefe, de que eu não teria condições de trabalhar daquela forma, liguei para meu pai e pedi aos prantos que ele fosse me buscar, pois eu queria ir ao médico o mais rápido possível. Fiquei algum tempo sozinha no consultório, pois ela tinha que fazer alguns trabalhos de rua, esperei pelo meu pai impaciente e mais angustiada a cada segundo que se passava. No intervalo de tempo da segunda vez em que ela saiu meu pai chegou, lhe dei um abraço muito apertado e as lágrimas retornaram aos meus olhos. Ela me pediu calma e disse que tudo iria ficar bem. E realmente ficou. Meu pai me levou até o hospital, que diga-se de passagem fica no cú da Tijuca. Fui parar na emergência e me deram uma injeção de um remédio para alergia, não entendi nada quando a mulher me perguntou se eu tinha alergia (WTF?), então ela me explicou que era para me dopar. Fui embora do hospital, mas amanhã voltarei, só de pensar no cú da Tijuca já me deprimo. Vou amanhã a psiquiatria. Espero que os médicos passem um calmante bem forte, pois nunca mais quero sentir isso outra vez.
Palavras mortas por Juliana Preuss
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